A internet promoveu uma verdadeira revolução global. Hoje, acessar informações é instantâneo, graças à mobilidade dos smartphones — que aceleraram o fluxo da informação e ampliaram o alcance das redes digitais.
As redes sociais — como Facebook, Instagram, YouTube, X (antigo Twitter), LinkedIn, WhatsApp e TikTok — cresceram nesse cenário como espaços de sociabilidade on-line, conectando pessoas por interesses, valores ou objetivos comuns.
“As redes sociais são estruturas que conectam pessoas ou organizações com base em interesses, valores ou objetivos comuns.”
Diante da nova realidade digital, a forma de consumir notícias mudou. As redes sociais também passaram a ser utilizados para o consumo de notícias.
Do consumo à pauta jornalística
Com o declínio do consumo tradicional por televisão e mídia impressa, o formato digital tornou-se dominante. O relatório da Digital News Report 2025, do Instituto Reuters, mostra que as redes sociais e os smartphones estão entre os principais canais para acesso a notícias no Brasil.

* Qualquer online: Incluindo sites/aplicativos de notícias, redes sociais/de vídeo, podcasts de notícias e chatbots de IA
* Os números de 2018 sobre o uso de computadores provavelmente foram exagerados devido a um erro na pesquisa
Os veículos de imprensa adaptaram-se a essa realidade: mantêm perfis ativos nas redes para atingir seu público de nicho — formado por internautas engajados — e dialogar com a audiência por meio de comentários e interações.
Finalmente, o público deixa de ser receptor passivo: compartilha, comenta, sugere pautas. E, em certos casos, produz evidências como imagens ou vídeos obtidos por smartphones em situações em que não há cobertura profissional.
Neste cenário surge um fato interessante. As postagens nas redes sociais podem sugerir temas de pautas de notícias. O jornalismo utiliza as redes sociais para identificar temas de interesse público.
Um exemplo recente ocorreu em 6 de agosto de 2025: o vídeo “Adultização” postado no YouTube, no canal do influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido nas redes como Felca.

(Foto: @Felca/YouTube/reprodução)
O vídeo foi divulgado com intuito de denunciar a sensualização, a exploração e o abuso infantil na internet. O conteúdo viralizou nas redes sociais. Até a data de publicação da nossa matéria, já ultrapassou a marca de 41 milhões de visualizações.

O fato, de expressivo interesse público, causou amplo debate nas redes sociais e repercutiu em vários de veículos de imprensa. O assunto foi noticiado no Jornal nacional, no Jornal da Band, na CNN, na Gazeta do Povo, no Correio Brasiliense, e em muitos outros veículos de imprensa. Inúmeras matérias jornalísticas foram produzidas.
Redes sociais como fonte e palco de posicionamentos
Além de servir de termômetro para pautas, as redes sociais são cada vez mais usadas como fonte jornalística. Em 10 de agosto de 2025, cinco jornalistas da Al-Jazeera foram assassinados em um ataque israelense a uma tenda de imprensa, perto do Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza. Entre as vítimas, estava o repórter Anas al-Sharif.
“Um crachá de imprensa não é um escudo para o terrorismo.”
Forças de Defesa de Israel,
rede social X
As Forças de Defesa de Israel (IDF) publicaram, em seu perfil na rede social X, a acusação de que Anas al-Sharif faria parte do Hamas. Evidências do suposto vínculo foram divulgadas no X, o que foi usado como justificativa para o ataque.
Declarações em perfis oficiais de políticos ou órgãos de governo tornam-se fontes de matérias jornalísticas. O conteúdo das redes sociais, vídeos de acontecimentos, fotos e declarações em vídeos fazem parte da apuração.
No vídeo da matéria da CNN Brasil, foi relatada a acusação de terrorismo contra o jornalista, informação confirmada pelas redes sociais das Forças de Defesa de Israel (IDF).
Organizações como a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) também utilizam suas redes para se manifestar.

No Instagram, a SBPJor publicou nota de repúdio à morte dos jornalistas, afirmando que “a morte deliberada de jornalistas é um ataque ao direito à informação e à própria democracia”
O canal Al-Jazeera, para o qual os jornalistas mortos trabalhavam, também condenou a morte de Anas al-Sharif e publicou uma nota de repúdio em seu perfil na rede social X.
O assassinato dos jornalistas obteve ampla divulgação na rede social da Al-Jazeera.
Fake news e jornalismo amador
As redes sociais facilitam o compartilhamento de notícias — legítimas ou não — o que cria terreno fértil para fake news. Isso levou à ampliação de agências de checagem de fatos no Brasil, como Aos Fatos, Agência Lupa, Estadão Verifica e UOL Confere.
O objetivo das agências é verificar se as informações que circulam em redes sociais, aplicativos de mensagens, declarações de políticos e autoridades, ou mesmo conteúdo jornalísticos são verdadeiros, enganosos ou falsos.
Além disso, muitos usuários atuam como jornalistas amadores, produzindo conteúdo sem respaldo técnico ou compromisso ético. O resultado pode ser grave: desde a disseminação de informações falsas até a exposição indevida de pessoas envolvidas.
Apesar dos benefícios trazidos pela instantaneidade e pelo alcance das redes sociais, o jornalismo profissional continua essencial. Só ele assegura apuração rigorosa, responsabilidade ética e confiança no consumo de informação — pilares fundamentais para a sociedade contemporânea.








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